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sábado, 10 de junho de 2017

Terra bo sabe



Terra bo sabe

Terra bo sabe uma das canções emblemáticas do conjunto Os Tubarões. A grande voz masculina da música cabo-verdiana, Ildo Lobo, é o vocalista.

Renato Cardoso é o autor desta fantástica canção de intervenção que nos fala da vida dura de Cabo Verde, da seca, da emigração, da minguada pesca artesanal. Mas a terra sabe quais as necessidades de cada homem viver com dignidade, a sociedade, contudo, ao dividir o produto do trabalho cria as desigualdades e a miséria de muitos.

Sobre a emigração em que os cabo-verdianos na diáspora trabalham no duro sem direitos para engordar outros.

Sem raforma nem pensão,
Doença na rosega,
Liberian, greg, Holanda,
Fidju sen skôla,
Amdjer largód, num vida dur
Di fazê dnher pa otes gorda.

Sobre o martírio da pesca que, muitas vezes, deixa ao pescador apenas um peixe e meio para alimentar toda a família.

Ma nôs mar e péska,
Ma nôs peska e martiriu
Di luarada na mar.
Bote, brose y linha,
Un pexe y mei pa kada um
K'fidj na kaza.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Biografia dum criol



Biografia dum criol

Ildo Lobo (1953-2004), natural do Sal, foi um dos gigantes da música cabo-verdiana quer na sua carreira a solo quer integrado em “Os Tubarões” (1973-1994). Com este conjunto gravou vários álbuns, nomeadamente Tema para Dois, Tabanca, Pépé Lopi, Dionsinho Cabral, Tchon di Morgado, Os Tubarões ao Vivo e Porton de Nôs Ilha. Todos de grande qualidade.

Depois da separação de Os Tubarões Ildo Lobo prosseguiu uma carreira a sola. Morreu em 2004 com 51 anos.

Biografia dum criol tem música do extraordinário compositor Manuel de Novas (1938-2009) e conta-nos a vida típica de um habitante de Cabo Verde desde que nasce até que se torna adulto.

A importância da família nos primeiros anos (Na meio di bondade e amor), a escola depois, a sociedade sem maldade nem ódio (Mundo era ôte cosa / C’uns gente diferente /Tinha menos maldade ma ódio) e finalmente o caminho da emigração (N sai pa estranger) onde o racismo e a crueldade imperam (Rodeód de fariseu / Na meio di fel má sangue). Mas depois de conhecer as sete partidas do mundo de passar bons e maus momentos (N tive sabe e margose) a conclusão é evidente. Neste mundo áspero e difícil uma pessoa só pode sentir-se feliz de ter nascido cabo-verdiano.

Uma grande canção.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Cabral ca mori



Cabral ca mori

Indiscutivelmente todos os países africanos de expressão portuguesa muito devem ao génio político de Amílcar Cabral. Não só fundou em 1956 o primeiro movimento de libertação, o PAIGC, como liderou uma vitoriosa guerrilha contra a ocupação colonial na Guiné que libertou vastas áreas do território que permitiu mesmo a proclamação da independência em 1973, logo reconhecida pela comunidade internacional, e pressionou as forças armadas portuguesas a exigir negociações que tendo sido recusadas pelo poder político de então levaram ao 25 de Abril. Nesse sentido Portugal também lhe deve a sua Democracia.

Esta morna homenageia o grande visionário e teórico africano afirmando que mesmo assinado pelos agentes do colonialismo Cabral ca mori, i.e. Cabral não morreu, por que continua presente nos corações do povos guineense e cabo-verdiano.

Cabral é liberdade
Honra memória de herói do povo

Os Tubarões de Ildo Lobo cantam aqui a canção composta por Daniel Rendall (n. 1947).